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Artigo: Lucro negativo da Petrobrás no 4º tri é apenas efeito contábil

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Artigo: Lucro negativo da Petrobrás no 4º tri é apenas efeito contábil

Eric Gil Dantas, economista do Ibeps

A Petrobrás apresentou nesta quarta-feira (26), o resultado do 4º trimestre do ano passado, um lucro líquido negativo de R$ 17 bilhões. No ano o lucro líquido foi de R$ 36,6 bilhões. Claro que nada de extraordinário ocorreu entre outubro e dezembro com a Petrobrás, gerando este prejuízo. Na verdade, o prejuízo decorre de questões de natureza contábil, e não do resultado operacional da companhia. Se expurgarmos os eventos exclusivos, teremos um lucro líquido de R$ 17,7 bilhões no 4º trimestre, e um lucro líquido anual de R$ 102,9 bilhões.

A companhia obteve um total de receitas de vendas de R$ 121,3 bilhões no 4º trimestre, 9,7% inferior ao mesmo período de 2023. Isto ocorreu tanto pela queda na quantidade de mercadoria vendida quanto pelo preço. A produção total comercial de petróleo e gás caiu 11% na mesma comparação entre trimestres, enquanto no mercado de derivados a queda foi de 7,8%. Em termos de preços em reais, a queda foi de 2% no Brent e 6% no preço dos derivados no mercado interno. No total do ano, a queda nas receitas de venda foi menor, de 4,1%.

Apesar da queda na produção ao longo do ano, em 2025 deve haver incremento no E&P com a plena operação do FPSO Maria Quitéria e do FPSO Marechal Duque de Caxias. No Refino acontecerá a mesma coisa, com o revamp do Trem 1 da RNEST e a nova unidade de Hidrotratamento (HDT) da Replan.

Além disso, as despesas operacionais também subiram 31,9% no 4º trimestre comparado ao mesmo período de 2023 e 33,7% em termos anualizados. Isto ocorreu principalmente por conta da maior provisão de gastos com descomissionamento de campos em processo de devolução.

Também tivemos a continuidade do aumento dos investimentos. Comparando o 4º trimestre de 2024 com o de 2023, tivemos um aumento de 61,1% nos investimentos, e em termos anuais 31,2%. Os maiores investimentos decorrem principalmente de grandes projetos do pré-sal, em especial os novos sistemas de produção do campo de Búzios e na Revitalização do Campo de Marlim. No Refino tivemos investimentos em paradas programadas da RNEST, REPLAN e REGAP (manutenção), mas também no projeto do Trem 1 da RNEST (expansão).

Com tudo isto, o Fluxo de Caixa Operacional diminuiu em 17,3% (4º tri) e 5,4% (anual). Ou seja, realmente tivemos um resultado menor no 4º trimestre e no ano como um todo, por conta de menores volumes vendidos, menores preços e maiores despesas (sazonais). Mas o que explica o lucro líquido negativo não é nada disso, e sim a variação cambial das dívidas entre a Petrobrás e suas subsidiárias no exterior e um novo impairment.

Como explica Fernando Melgarejo, Diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, no Relatório de Desempenho:

“O resultado da Petrobrás em 2024 foi impactado principalmente por um item de natureza contábil: a variação cambial em dívidas entre a Petrobrás e suas subsidiárias no exterior. São operações financeiras entre empresas do mesmo grupo, que geram efeitos opostos que ao final se equilibram economicamente. Isso porque a variação cambial nestas transações entra no resultado líquido da holding no Brasil e impactou negativamente o lucro de 2024. Ao mesmo tempo, houve impacto positivo direto no patrimônio”.

Em outras palavras, a Petrobrás possui subsidiárias no exterior que contraem dívidas com a própria holding (Petrobrás no Brasil) em dólares. Quando há uma desvalorização do real frente ao dólar, essas dívidas ficam mais caras em reais. Com isto, a Petrobrás precisa reconhecer essa variação cambial como um efeito negativo no seu lucro líquido, pois, contabilmente a empresa precisa reavaliar o valor da dívida em moeda local. Essa variação cambial impactou o resultado em R$ 27,5 bilhões negativos no 4º trimestre.

Outro fator negativo foi um impairment de R$ 9,62 bilhões no quarto trimestre de 2024 devido à redução no valor recuperável de três ativos: (i) revisão das projeções de produção e custos operacionais de diversas Unidades Geradoras de Caixa (UGCs); (ii) revisão no 2º Trem da RNEST devido ao aumento das estimativas de investimentos e gastos operacionais do projeto no Plano de Negócios 2025-2029; e (iii) redução nos valores recuperáveis de blocos exploratórios, com a devolução de vários deles à ANP.

Com esse resultado, a Petrobrás distribuirá um total de R$ 75,8 bilhões em dividendos referentes ao ano de 2024, mais a recompra de R$ 1,9 bilhões em ações. Só referente ao 4º trimestre o pagamento é de R$ 9,1 bilhões. Sua política de dividendos, de 45% do fluxo de caixa livre, segue sendo um dreno dos recursos da empresa.

Em síntese, o lucro líquido negativo não condiz com a realidade da companhia, foi fruto de efeitos meramente contábeis. Ainda assim, a queda nos preços do petróleo e dos derivados arrefeceram as receitas da companhia, mas ainda muito longe de gerar qualquer preocupação financeira. A Petrobrás apenas aprova novos projetos com rentabilidade a US$ 45 o Brent (o valor segue em torno dos US$ 75 há um bom tempo). A empresa continua desperdiçando recursos que poderiam ser usados em novos investimentos e na transição energética, pagando 45% do fluxo de caixa livre (novamente distribuindo altos dividendos mesmo com o lucro líquido negativo), mas precisamos reconhecer o aumento acelerado dos investimentos (não só no E&P, mas também no Refino).

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